quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Quando a vida vira conto



Há quatro anos atrás, conheci uma menina que trazia um Pequeno Príncipe tatuado no braço. Para mim, o Pequeno Príncipe era aquele livro que todos tinham de ler para afirmarem que tinham de fato passado pela infância, principalmente as meninas. Como fui uma criança ocupada demais com Batman, Homem-Aranha e etc, não sobrava tempo para crer em príncipes. Tampouco me interessava.
Por influência da menina – que se tornou minha namorada e, ao meu lado, vi pouco a pouco transformar-se numa belíssima mulher – acabei lendo o clássico do Exupéry jogado na areia duma praia em Florianópolis, já com mais de trinta anos na ficha. Me encantou. Pela simplicidade, pureza e uma certa melancolia...
Passaram-se mais alguns poucos anos e surge o 1ºBH Humor, salão internacional organizado por feras do desenho como o Lute, Duke e Lor. O tema era "lixo", enfocando principalmente o problema causado pelo excesso de detritos gerados pela sociedade de consumo e suas implicacões ambientais. Como havia uns bons cinco anos que não fazia nada de cartuns pra salões, confesso que só fui parar pra pensar em algo por insistência dos amigos que estavam na organização do salão e que gentilmente me intimaram a enviar um desenho.
Quando sentei e comecei a rabiscar algumas ideias, a única que me pareceu valer a pena foi essa que está aí, uma releitura de um Pequeno Príncipe no lixão. Eu desconfiava um tanto do enfoque que tinha o cartum, que deixava de lado a questões do consumo e do meio-ambiente pra falar sobre algo mais humanista, ligado a infância... Enviei o trabalho em cima da hora, sem nenhuma expectativa...
Dias depois (eita que essa história tá ficando comprida!) estava em São Paulo e passava uma das piores tardes dos últimos tempos (a mulher do Pequeno Príncipe tatuado sabe de perto do que falo) quando recebi um telefonema do Lute: "Você tá entre os premiados, é tudo oque posso te dizer"... No outro dia, estava embarcando pra BH ainda com a surpresa estampada no rosto, indo encontrar muitos colegas e amigos e conferir o que pra mim era uma verdadeira "zebra".
E que zebrona! Ganhei o primeiro lugar! Ulalá! Recebi o troféu diante de um auditório lotado, manos e mestres como Cau Gomez, Dalcio, Jaguar e Ziraldo na platéia. Me perguntaram então se queria falar alguma coisa. Ou fazia um agradecimento formal a comissão organizadora e blablabla ou algo mais genuíno, espantando a timidez pra pôr um pouco de poesia na vida: telefonei pra mulher que me levou ao menino príncipe. Ela ficou confusa com o burburinho que ouvia do outro lado da linha. Trêmulo, resumi em três frases a história do encontro com a menina tatuada... Tudo isso pra acabar dizendo lá, como escrevo agora aqui: "Manu, minha Pequena Princesa, esse prêmio é seu!"

29 comentários:

fabiana shizue disse...

que lindo! parabens!!

Rafael disse...

Espetacular! Parabéns, Rodrigo.

josé disse...

A mãe chamando o guri à realidade justifica o prêmio. Abração do mais antigo admirador. Fraga.

Kayser disse...

Cartum maravilhoso, Rodrigo! E a postagem toda também. Parabéns!

Carla Pilla disse...

Tão lindo quanto o cartum é a história por trás dele e do prêmio... Me emocionei lendo!! Parabéns por tudo, Rodrigo: pelo prêmio, pelas voltas que a vida pode dar, pela Manu, pela sensibilidade!

Obs: não vi mais vocês lá no IlustraBrasil... Fomos depois pro tal Bistecão, bem divertido!

Leandro Bierhals disse...

Maravilha! Nãodá para dizer se é um cartum, uma charge ou uma poesia. Parabéns.

Wagner Passos disse...

Rodrigo Rosa não é flor que se cheire... baita cara e baita desenhista. Merecido!
abração

Manuela disse...

mmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm. amo você!

Augusto Bier disse...

Vai estudar física nuclear e vê se deixa alguma coisa pra gente ganhar! Magnífico! Eu sei o que é ganhar um prêmio com uma zebra.

Carlos Ferreira disse...

Meu chapa! Eu com orgulho de ti!
Parabéns, baita arte!!!
abraço do amigo Carlos

Eduardo Simch disse...

Grande Rodrigo!
Baita cartum!
Prêmio merecido!
História bonita!!

Cellus disse...

Parabens, Rosa.
Um belo cartum.

Edith Janete disse...

"Não sei o que é mais belo, se o cartum ou se o texto do guri...
Bier"
Foi assim que o Bier me deu o link do teu blog.
Muito lindo!!!
Parabéns a Manu também, nada como o amor para no inspirar!

Paulo Afonso disse...

Dá-le Neguinho, tu nunca me enganastes. Se orgulho matasse, eu tava ferrado. Se não fosse a falsa modéstia, eu diria: A fruta não cai longe do pé! Um beijo do velho.

Pai Afonso.

MAURICIO NEGRO disse...

Caro Rosa,

esse cartum nasceu pleno de sentidos. E é para isso, e não apenas para ganhar prêmios ou status, que faz valer a pena fazer o que a gente faz. O que me agradou no seu trabalho foi a poesia, que transcende a questão ambiental. Tudo junto, ao mesmo tempo. Musa Manu Roseou. É isso aí, parabéns! Te acrescentei na minha lista negra, por sinal. Abração!

Fabio Jorge disse...

Maravilha Rodrigo.
Parabéns!
Faoza

Fernanda Queiros disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fernanda Queiros disse...

Nem lhe conheço...
Um mais-que-amigo me mandou o link para esse seu texto. Eu mostrei o Pequeno Príncipe a ele, há um tempinho... E ele agora me presenteou com a singeleza do seu desenho e a leveza do seu texto. Emocionei-me...
Parabéns!

Márcio Diemer disse...

Cartum que valu por mil palavras Rodrigo!!! parabéns

Alves disse...

Fala Rodrigo, tudo bem!!

Parabéns pelo prêmio, cara!! Foi uma honra ter conhecido vc em BH e que legal: Vi essa cena que vc descreveu ao vivo!!
Parabéns pra sua musa inspiradora, também!! Rsrsrs

Abs

Alves

Ps. E por favor não esquece a minha "Picabu" pro FIQ, heim!? Ré,ré!

Walter Pax disse...

Só tenho uma coisa pra te dizer Rodrigo: Tu é foda hein rapá!!!?

Vera Lucia Ferreira disse...

Rodrigooooo!!! Parabéns! prêmio merecido... palavras exalam a boniteza do sentir de ontem e quem sabe do hoje-sempre! imagens mesclam o clássico e o ríspido cotidiano!
Um beijo carinhoso
Vera - mãe da Manu

Ethon disse...

Tenho que olhar mais de perto esse "cartum", sim, mas quero dizer que: 1) é um alívio ouvir dizer assim de vocês dois, Rodrigo e Manuela, só imaginando as grandes viagens de vocês com as muito poucas e ótimas que pude pescar; 2) talvez esteja na hora de lermos mais o Barão de Munchausen (digo pelo tema da "pintura" que preciso conferir mais de perto...)

Rico disse...

Sou testemunha ocular do caso, vi tudo! E confesso: sou um homem caro.
Abs,
Rico.

Rodrigo dMart e Yara Baungarten disse...

parabéns, xará!

baita (e emotiva) sacada.

abraço, dMart

Polaca disse...

linda estória de amor... u.ures

Polaca disse...

linda estória de amor... u.u

Polaca

Psicólogo1 disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mandy Paiva disse...

que foda o desenho, curti demais, mereceu ganhar, cara. e a história... lembrou demais a minha, só não tenho a tatuagem (ainda). Ah, e curti teu blog! Abraços enormes! :)